Mecanismo de Defesa x Comportamento Social

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

  • Tensão, Conflito e Ameaça
    O homem sempre está em busca de estímulos, ele prefere ficar doente e cansado a ficar sem nenhum tipo de estímulo.
    A falta de estímulos pode trazer desânimo e até depressão ao ser humano, a tensão estimula-o a atuar mais efetivamente. Um excesso de tensão pode debilitar e deixar vulnerável o indivíduo, podendo até gerar um colapso diante da crescente complexidade da sociedade moderna.
    Na verdade, alguns indivíduos têm maior probabilidade de se desestruturar e outros de gerar mudanças em suas vidas. Na verdade não são as mudanças que trazem tensão, mas a atitude tomada em relação a elas e o modo como reagem. As mudanças geram tensão por causarem conflitos, ou seja, pela presença de dois ou mais impulsos incompatíveis.
    A tensão relacionada à mudança é agravada pelos conflitos e dilemas que devemos enfrentar como resultado da mesma.
    Segundo os psicólogos Neal Miller e Kurt Lewin, existem três maneiras pelas quais os motivos podem ocasionar conflitos entre si que são: aproximação-afastamento, aproximação-aproximação e afastamento-afastamento.

  • Aproximação-afastamento
    Quando sentimos atração e repulsa pelo mesmo objeto temos uma situação de aproximação-afastamento Um exemplo seria o de um gerente que tem um funcionário que vem se destacando na empresa e que por isso aumenta o seu salário para vê-lo render ainda mais (aproximação) e ao mesmo tempo ele tem medo que o funcionário ocupe o seu lugar na empresa (afastamento).

  • Aproximação-aproximação
    Quando temos duas opções atraentes, temos o conflito aproximação-aproximação. Um exemplo é o de um funcionário que gostaria de comprar uma linha de telefone e que ao mesmo tempo está estressado precisando tirar férias e não sabe se tira férias ou recebe o dinheiro equivalente para comprar sua linha telefônica.

  • Afastamento-afastamento
    Quando temos duas alternativas desagradáveis, temos o conflito afastamento-afastamento. Um exemplo poderia ser o de um funcionário mudar do setor que gosta de trabalhar, não receber nenhum aumento em troca e ainda ter um aumento na carga horária de trabalho.

  • Reações a situações ameaçadoras
    Ameaça para alguns teóricos, é situação e experiência que percebemos estar interferindo em nossa capacidade de operar normalmente ou de alcançar as metas estabelecidas para nós mesmos.

  • Mecanismos de Defesa
    As pessoas defendem-se inconscientemente da ansiedade que sentem numa situação perturbadora. Podem fazê-lo distorcendo a realidade e enganando a si mesmo. Esses são dois processos subjacentes que Freud denominou mecanismos de defesa. Todos nós usamos desses mecanismos para proteger nossa auto-imagem, o que é bastante comum em nossa vida diária. Temos necessidade de uma auto-imagem positiva, de aprovar nosso comportamento, e justificá-lo quando necessário. Às vezes, a única maneira de conseguir isto é através de processos inconscientes, iludindo-nos e alterando os fatos reais, de modo a preservar a nossa auto-imagem.
    Quando os mecanismos de defesa são levados a extremos, assumindo um papel preponderante na vida das pessoas, a tendência dos psicólogos é considerar os comportamentos resultantes como anormalmente perturbados. Existem vários tipos de mecanismos de defesa, e embora os psicólogos divirjam em sua exata classificação, os mais apontados são:

  • Recalque
    A medida defensiva fundamental do ego é o recalque. Freud considerou o recalque como a reação normal do ego infantil, cuja capacidade integradora é muito limitada. O recalque consiste na exclusão dos impulsos e suas representações ideacionais do consciente. Ocorre sempre que um desejo, impulso, ou idéia, ao se tornar consciente, provoca um conflito insuportável, resultando em ansiedade. O recalque de um desejo, em contraste com sua rejeição consciente, é uma inibição num nível mais profundo da personalidade. O fato de ser inconsciente poupa a personalidade consciente de um conflito penoso. A totalidade do ato transcorre fora do consciente. A rejeição é automática; se assim não fosse, o conteúdo mental inaceitável não poderia permanecer inconsciente. É uma inibição reflexiva que segue os princípios dos reflexos condicionados. É evidente que tais inibições inconscientes pressupõem uma percepção inconsciente interna, que leva ao reflexo de inibição automático.
    O recalque é sempre exagerado e envolve tendências que o ego consciente não rejeitaria, se elas se tornassem conscientes. Essa função inibitória, automática e excessivamente severa é uma das causas mais gerais das perturbações psiconeuróticas.
    Muitos sintomas psiconeuróticos são resultados de tensões insuportáveis provocadas por um recalque exagerado.
    O estudo psicanalítico das neuroses e psicoses mostrou que as forças psicológicas recalcadas não deixam de existir. O ego deve tomar medidas defensivas contra elas, medidas que lhe esgotam os recursos dinâmicos e torna-o menos capaz de exercer sua função adaptadora de perceber a realidade externa. Perde, especialmente, a energia excedente que é a fonte das atividades criadoras, tanto sexuais como sociais.
    No recalque ocorre uma supressão de parte da realidade, ou seja, o indivíduo "não vê" ou "não ouve" o que está acontecendo.
    Exemplo: É muito comum quando um jovem executivo é contratado para uma organização antiga e tradicional, e os colegas de trabalho reagem inicialmente contra os impulsos do jovem funcionário, que sonha em fazer carreira na organização e tenta criar projetos para a melhoria da organização e é criticado pelos outros dizendo que já funciona tão bem assim e não precisa mudar.

  • Repressão
    A repressão é o esquecimento ou a negação inconsciente de detalhes significativos do comportamento, detalhe que são incompatíveis com o auto-retrato que estamos tentando manter. Na repressão há um bloqueio na consciência dos conflitos geradores de ansiedade ou de distúrbios na motivação. Eles são submersos no inconsciente.

  • Negação
    Provavelmente é o mecanismo de defesa mais simples e direto, pois alguém simplesmente recusa a aceitar a existência de uma situação penosa demais para ser tolerada. Ex: Um gerente é rebaixado de cargo e se vê obrigado a prestar os mesmos serviços que exercia outrora.

  • Sublimação
    É o mecanismo de defesa mais aprovado pela sociedade. Quando temos um impulso que não podemos expressar diretamente, reprimimos a sua forma original, e o deixamos emergir sob uma feição que não perturbe a outrem ou a nós próprios. Geralmente usamos a sublimação para expressar motivos indesejáveis sendo que, como a maioria dos outros mecanismos de defesa, ela opera inconscientemente mantendo-nos desconhecedores dos motivos indesejáveis.
    Quando um impulso primitivo é inaceitável para o ego, é modificado de forma a se tornar socialmente aceitável, isso é sublimação.

  • Racionalização
    A racionalização é utilizada nas mais diferentes situações, quer envolvendo frustração quer envolvendo culpa. Ocorre pelo uso da razão na explicação de estados "deformados" da consciência. O racional é usado para explicar o irracional, tomadas de posições sem sentido.
    Quando as pessoas fazem coisas que não deviam, é comum sentirem culpa, e ao invés de admitirem a razão real de seu comportamento, preferem com freqüência racionalizar inventando razões plausíveis para o seu ato. Ex: Um funcionário tira dinheiro do caixa e é pego, fala que estava precisando muito e que no próximo mês devolveria todo o valor.

  • Projeção
    Às vezes as pessoas se recriminam ou se sentem mal por terem certos pensamentos ou impulsos. Podem atribuí-los então a alguém, projetando nessa pessoa os seus próprios sentimentos. Isso fica muito claro com relação a impulsos poderosos, como o sexo e a agressão. Ex: Um gerente que sempre chega atrasado no trabalho reclama ao superintendente geral que seu funcionário nunca chega pontualmente.

  • Deslocamento
    Este mecanismo está relacionado à sublimação e consiste em desviar o impulso de sua expressão direta. Nesse caso, o impulso não muda de forma, mas é deslocado de seu alvo original para outro. Ex: Ao ser despedido de uma empresa, um funcionário leal sente raiva e hostilidade pela forma como foi tratado, mas usualmente tem dificuldade de expressar seus sentimentos de forma direta.

  • Formação de reação
    Às vezes, quando as pessoas se sentem ameaçadas por um impulso opressor, podem combatê-lo indo para o extremo oposto, e denunciando-o vigorosamente em outras pessoas. Assim, funcionários que trabalham sem motivação e de forma relapsa, podem ridicularizar seu companheiro de trabalho que cometeu algum deslize ou que também é relapso.

  • Conclusão
    A relação entre o "Comportamento Social" e "Mecanismos de Defesa", está justamente na utilização de mecanismos inconscientes para justificar o comportamento do indivíduo no meio onde ele se relaciona. Nessa abordagem enfoca-se principalmente o indivíduo inserido no meio organizacional, tomando como parte suas atitudes em relação ao grupo de trabalho, e a ele mesmo.
    Para um indivíduo, a percepção de um acontecimento, do mundo externo ou do mundo interno, pode ser algo muito constrangedor, doloroso, desorganizador. Para evitar este desprazer, a pessoa "deforma" ou suprime a realidade - deixa de registrar percepções externas, afasta determinados conteúdos psíquicos, e assim interfere no pensamento. São vários os mecanismos que o indivíduo pode usar para realizar esta deformação da realidade, no qual chamamos de mecanismos de defesa.
    São justamente estes mecanismos que vão regular o comportamento para um padrão ajustado ou desajustado, poderá depender da intensidade em que ele reprime certas emoções, e/ou fatos que ele não queira ou não saiba lidar.
    Então, o uso destes mecanismos é de fundamental importância para a preservação do ego, e assim manter condições constantes de excitação no nosso organismo, e também promover com sucesso, uma integração entre o indivíduo e o mundo externo.
Brasil Escola

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