O desenvolvimento da inteligência

sábado, 19 de janeiro de 2008

A psicologia cognitiva trata do modo como as pessoas percebem, aprendem, recordam e pensam sobre a informação.

Segundo Piaget, alguns conceitos fundamentais estão ligados ao desenvolvimento da inteligência, dentre eles pode-se citar a hereditariedade, a adaptação, os esquemas e a equilibração das estruturas cognitivas. A hereditariedade consiste no organismo que herdamos e que amadurece em contato com o meio ambiente, uma série de estruturas biológicas que favorecem o aparecimento de estruturas mentais. Como consequência infere-se que a qualidade e quantidade de estimulações interferirá no processo de desenvolvimento da inteligência. A adaptação possibilita ao indivíduo responder aos desafios do ambiente físico e social. Dois processos compõem a adaptação, ou seja, a assimilação (uso de uma estrutura mental já formada) e a acomodação (processo que implica a modificação de estruturas já desenvolvidas para resolver uma situação). Os esquemas constituem a nossa estrutura básica. Podem ser simples como uma resposta específica a um estímulo, ou complexos, como o modo de solucionarmos problemas matemáticos. Os esquemas estão em constante desenvolvimento e permitem que o indivíduo se adapte aos desafios ambientais. A equilibração das estruturas cognitivas consiste em uma passagem constante de um estado de equilíbrio para um estado de desequilíbrio. É um processo de auto regulação interna.

A assimilação e a acomodação são mecanismos de equilíbrio. De acordo com as possibilidades de entendimento construídas pelo sujeito, ele tente a assimilar idéias, mas caso estas estruturas não estejam ainda construídas, acontece um esforço contrário ao da assimilação. Há uma modificação de hipóteses e concepções anteriores que vão ajustando-se aquilo que não foi possível assimilar. É o que Piaget chama de acomodação, onde o sujeito age no sentido de transformar-se em função de resistências colocadas pelo objeto do conhecimento.

O desequilíbrio é portanto fundamental, pois o sujeito buscará novamente o reequilíbrio, com a satisfação da necessidade, daquilo que ocasionou o desequilíbrio. Max Gunther, em seu livro intitulado Os Axiomas de Zurique, cita que "até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso". Isto pode ser perfeitamente aplicado ao caso da aprendizagem. Uma vez que a aprendizagem se dá através de desequilíbrios (caos), a ordem (equilíbrio) é o objetivo momentâneo e não permanente. Piaget conclui que a inteligência não aumenta por acréscimo mas sim por reorganização.

Para Piaget, existem duas formas de conhecimento, o conhecimento físico e o lógico-matemático. O conhecimento físico consiste no sujeito explorando os objetos. Para construir conhecimento físico é necessário a existência de uma estrutura lógico-matemática, de modo a colocar novas observações em relação com o conhecimento já existente. O conhecimento lógico-matemático consiste no sujeito estabelecendo novas relações com os objetos. Relações estas que não têm existência na realidade externa, está na mente do sujeito.

Fonte: O desenvolvimento da inteligência

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