Inutilidade

domingo, 17 de maio de 2009

Se nós comêssemos só bananas e para produzí-las fosse preciso muito trabalho, poderíamos decidir dar bananas só a quem trabalha. É isto que diz São Paulo e que repete um verso de Bondiera Rossa, o hino comunista que ninguém mais canta mas que foi a trilha sonora da nossa juventude.

Porém, se um dia descobríssemos um modo de produzir bananas mecanicamente, sem a necessidade de qualquer esforço humano, todos nós poderíamos comer quantas bananas quiséssemos. Mas, se insistíssemos em dizer que só comerá banana quem trabalha, deveríamos inventar trabalhos falsos ou artificiais, para poder assim retribuir com bananas quem os efetuasse. É exatamente o que estão fazendo, com uma frequência crescente, os governos de esquerda para fazer face ao problema urgente do desemprego: graças ao progresso tecnológico, a produção de riqueza não só existe, mas continua a aumentar a cada ano que passa. Mas para fazer com que uma parte desta riqueza atinja também os desempregados, permanecendo ao mesmo tempo fiel ao moto "quem não trabalha não come", é preciso inventar subterfúgios e ficções de vários tipos, como, por exemplo, os chamados trabalhos "socialmente úteis".

Com muita frequência no Brasil, mas às vezes também na Itália, sobretudo nos hotéis ou nas diretorias empresariais, vê-se rapazes que, para ganhar o pão de cada dia, passam o dia inteiro dentro de um elevador, apertando os botões correspondentes aos andares onde os clientes desejam sair. Eu me pergunto: como é possível depreciar a este ponto a vida e a inteligência de um rapaz, mantendo-o fechado, mofando, oito horas por dia num elevador, para fazer um trabalho completamente idiota e inútil? Não seria melhor pra ele e para a sociedade que lhe dessem a mesma importância de dinheiro, pedindo-lhe, em troca, que continuasse a estudar?

Fonte: O Ócio Criativo

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