Reconheça o inimigo

sábado, 24 de janeiro de 2009

"Se o inimigo estiver próximo, e ainda assim se mantiver em silêncio, ele não está ocupando uma posição estratégica. Se estiver distante e tentar provocar um combate, ele quer que avancemos. Se ele estiver acampado em terreno plano, com certeza está protegido por alguma vantagem.

Se houver movimento entre as árvores de uma floresta, fique atento. Pode ser que o inimigo esteja avançando. Se existirem muitos obstáculos entre os arbustos, ele está tentando nos confundir. Se uma grande quantidade de pássaros levanta voo de súbito, é sinal de uma emboscada. Animais assustados indicam que um ataque surpresa está se formando.

Se a poeira ergue-se alta, é sinal de carros de guerra chegando; quando ela é baixa e se espalha rente ao chão, denuncia a aproximação de infantaria. Se a poeira se levanta em pontos esparsos, mostra que destacamentos estão colhendo lenha para as fogueiras. Algumas nuvens de poeira movendo-se de um lado para outro, significa que o exército está montando o acampamento.

Sussurros e aumento dos preparativos para guerra significa que o inimigo avançará. Linguagem violenta e movimento agressivo para frente, indicam que ele recuará. Quando os carros leves saem à frente e tomam posições nos flancos, é sinal de que o inimigo está entrando em formação para o combate.

Proposta de paz sem que haja retrocesso do exercito, indica uma conspiração. Se há muita correria com suas tropas em formação, está determinada a hora da batalha. Se uma parte das tropas avançar e outra recuar, o inimigo está tentando nos atrair para uma armadilha.

Se os soldados encontram-se curvados e apoiados em suas armas, eles estão fatigados. Se os que, mandados apanhar água, forem os primeiros a beber, significa que o exército está sedento. Se houver uma vantagem e o inimigo não avançar, ele está exausto.

Se há pássaros reunidos em algum ponto, a posição está desocupada, provavelmente o inimigo abandonou secretamente seu acampamento.

Quando há gritos na noite, é sinal que o inimigo está assustado. Se há confusão no acampamento, o comandante tem pouca autoridade. Se suas bandeiras e estandartes mudam constantemente de lugar, o inimigo está em desordem. Se os oficiais estão irritados, é sinal de que seus homens estão cansados.

Quando o inimigo alimenta seus cavalos com cereais e mata seu gado para comer, quando seus homens não se preocupam em pendurar suas canecas de água e demonstram que não querem voltar às tendas, certamente estão desesperados e determinados a lutar até a morte.

Quando há soldados sussurrando em grupinhos e seu comandante falando em voz mansa e vacilante, revela inimizade entre superiores e subordinados. Recompensas em demasia significam problemas. Se o comandante teme pressionar seu exército por conta de motins e oferece gratificações para manter seus soldados de bom humor, certamente ele perdeu o respeito de seus homens.

Quando há castigos em excesso, o inimigo enfrenta dilemas terríveis com o relaxamento da disciplina, podendo o comandante perder o controle e irromper violentamente contra seus subordinados para obrigar-lhes a cumprir o dever. Se os soldados forem punidos antes mesmo de se afeiçoarem ao chefe, não demonstrarão respeito. Portanto, os soldados devem ser tratados primeiramente com humanidade, porém, mantidos sob controle e disciplina. Isso irá garantir sua lealdade. Para isso, os comandos devem ser consistentemente reforçados durante o treinamento.

Por fim, se o inimigo enviar um emissário com palavras conciliadoras, ele quer cessar as hostilidades. Atenção ao inimigo enraivecido que está preparado para confrontar-se com você por longo período sem travar batalha nem abandonar sua posição, considere-o com o maior cuidado.

Em uma guerra, devemos ter claro que não são os números que proporcionam a vantagem de um exército sobre outro, portanto, não avance imprudentemente, confiando apenas na quantidade de soldados ao seu lado. Um bom comandante é capaz de avaliar sua própria força, ter visão total da situação do inimigo, conquistar o apoio e a lealdade de seus soldados e jamais subestima seu inimigo, caso contrário, seria facilmente capturado por ele."

Fonte: A Arte da Guerra

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