Efeito Manada

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sempre foi popular no nosso contexto a história sobre uma ovelhinha chamada Maria que fazia tudo o que as demais faziam, apenas porque as outras estavam fazendo. Essa história é geralmente contada para crianças, para que notem a importância de não mudar comportamentos apenas para se enquadrarem nos grupos os quais se inserem. Porém isso pode ser mais difícil do que parece.

Efeito manada ocorre quando indivíduos recebem determinadas informações e passam a atuar em bando, como uma manada. Isso acontece porque não tomamos uma decisão consciente, e seguimos a maioria; assim, um sujeito passivo simplesmente adere a uma decisão coletiva, deixando-se guiar pelo instinto.

Na natureza, em animais que andam em grupo, é comum esse tipo de comportamento. Não raramente quando estão em bando, um antílope começa a correr e os outros o acompanham, mas por trás disso existe uma função evolutiva: se um antílope saiu correndo, deve haver algum perigo por perto. Nesse caso, seguir o grupo pode fazer toda a diferença, pois um antílope que demorar mais tempo para fazer algo pode se tornar um alvo mais fácil.

No ser humano não é tão diferente. Diante de uma crise, um efeito manada de acionistas vendendo ações pode ocasionar uma ruptura na bolsa de valores. Como uma manada, todo mundo criou sua conta no Orkut, e quando este já não era bom o bastante, migraram como uma manada para o Facebook. Programas de humor são editados, colocando risos ao final de cada piada, e muitas vezes acabamos rindo mesmo sem entender a piada. Tem até quem fale que político é ladrão mesmo sem conseguir citar o que realmente envolveu um caso de corrupção.

O ser humano possui comportamentos e habilidades cognitivas mais elaboradas que outros animais, e consequentemente, surgem subprodutos desse efeito, isto é, atuamos em manada mesmo quando não há possibilidade de perigo. O efeito manada então nada mais é do que um mecanismo cognitivo evolutivo, que nos permite tomar decisões não conscientes, caso sejamos passivos à atividade do grupo.

Os humanos, assim como animais herdaram as estruturas cognitivas, que são as adaptações referentes ao comportamento. Elas funcionam como módulos na nossa interação com o ambiente, que produzem comportamentos dentro de cada contexto cultural.

Os primeiros entendimentos desse efeito nos humanos foram compreendidos através de um experimento feito por Solomon Asch em 1951 que conseguiu determinar como o julgamento individual é influenciado pelo grupo.


Em um ambiente controlado, atores foram contratados e orientados a responderem erroneamente uma questão com base na figura acima: qual das retas A, B e C é equivalente à reta X? A constatação obtida foi que a maioria das pessoas ignorava seu próprio conhecimento e também respondia errado pelo simples fato de seguir a maioria. Veja o vídeo:


O video abaixo também demonstra o poder de conformidade do ser humano com os seus semelhantes. No caso abaixo, além da conformidade, existe um risco à vida que é completamente ignorado pelo simples fato de seguir o comportamento dos demais.


Ou seja, para a natureza humana, é mais importante estar em acordo com o grupo do que estar certo. Cabe a nós procurarmos evitar a passividade. Talvez nunca conseguiremos fugir de algumas consequências do efeito manada, mas podemos sim evitar seguir o coletivo do "por que sim" e "porque não", e procurar uma visão ampla, isto é, se permitir o questionamento, para fugir a consequências negativas do efeito manada.

Outros experimentos tão interessantes quanto podem ser vistos abaixo:

  • Milgram's Obedience To Authority Experiment: Demonstra o poder que a autoridade exerce sobre uma pessoa, que acaba agindo contra seus próprios princípios a fim de obedecer uma autoridade imposta.
  • The Stanford Prison Experiment: Estudo realizado visando identificar se a prisão influencia a violência nas pessoas ou se pessoas violentas tornam a prisão um ambiente violento.


Conteúdo adaptado de O Nacional.

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