Data Estranha

domingo, 16 de dezembro de 2007

Bom dia!

Acordo às 6h, como de costume. Coloco o pé no chão e lembro: hoje é meu aniversário. Os otimistas numa hora dessas pensam que receberão presentes, parabéns, agradecem por mais um ano de vida, esperam um dia feliz, com comemorações e coisas afins. Os pessimistas, esses contabilizam um ano a menos de vida. Eu, com minha dupla personalidade gêmea pseudo-contraditória (entendam como quiser!) penso de forma otimista mas brinco da forma pessimista!

Aniversário é uma data estranha. Falar isso parece estranho, mas estranho por estranho ainda fico com o aniversário!

Antes de tomar meu café-da-manhã, recebo uma ligação no celular, olho o número, é da casa da minha mãe. Sabem o que é acordar às 6h da manhã e logo em seguida receber uma ligação da pessoa que mais te ama no mundo, também conhecida como tua mãe? Atendo. Fico apreensivo com as palavras que ela dirá, afinal, hoje é a data estranha (aniversário para os íntimos), data esta que ouvimos e presenciamos coisas que não estão na nossa rotina. Pois bem, respiro fundo e ouço calmamente, tento me fazer de durão, querendo o mais rápido possível desligar o telefone pra ela não perceber que as palavras podem me fazer chorar, e fazem mesmo. Desligo o telefone, pego a toalha e tento enxugar as lágrimas que teimam em querer descer dos olhos... Podem me dar o mundo, mas nada substitui esse momento.

Por mais fria que a pessoa seja, auto-confiante, independente, responsável pelos próprios atos, durona, isto tudo cai por terra nessa data estranha, mais conhecida como o dia do teu aniversário.

Várias pessoas lembram da tua data estranha (ou aniversário, como queiram). Dentre as várias mensagens e lembranças que manifestam, você consegue distinguir qual vem realmente do coração, e essas são cruéis, parece que possuem mãos, tocam o coração, entram nos olhos e insistem em empurrar as lágrimas para baixo. Amigos, família, pessoas que entraram na tua vida e que tiverem a oportunidade de continuar dentro dela e que por um motivo ou outro não o fizeram. Enfim, todos que te conhecem, muito ou pouco, se manifestam de alguma forma, com mais ou menos intensidade.

Sei que sou meio isolado do mundo, vivo em um mundinho que poucos conhecem, tenho poucos amigos, conto nos dedos de uma mão e ainda sobram alguns (dedos). Hoje voltando do almoço encontrei uma dessas pessoas que considero meu amigo, apesar do pouco tempo de convivência. Ele lembrou da minha data estranha, me deu os parabéns e me desejou o que já é de praxe em datas estranhas, mas uma coisa mexeu comigo. Ele, quando fomos nos despedir, me pediu um abraço, me deu os parabéns e me desejou essas coisas que já disse que é de praxe, mas da forma cruel, coisas que possuem mãos, tocam o coração e puxam as lágrimas dos olhos. Eu mais do que depressa me despedi, desejei boa viagem (ele ia viajar pra cidade dele) e fui pra minha casa.

O dia vai passando, lembranças das mais variadas formas vão surgindo, umas verdadeiras e outras nem tanto assim. Algumas pessoas lembram, outras pela correria do dia vão lembrar só depois que o sol tocar o horizonte.

E assim se passa mais uma data estranha, a quinta longe das pessoas que mais amo e respeito nessa vida: minha família.

Deito na cama, faço um resumo do dia, leio as passagens que costumo ler sempre antes de dormir, fecho os olhos e durmo. Amanhã é outro dia, pós data estranha, e a vida volta ao normal.

Boa noite.
14/09/2007

2 comentários:

Cristiano Galdino disse...

Pode até estranhar, mas tem gente que ler o seu blog. 8)

Parabéns, mesmo que bem depois da data.

Rosana Dias disse...

Invejei a parte alusiva a sua mãe. A minha infelizmente não aprendeu a expressar afetividade. Aprendi a lidar com isso? Sim. Ficou menos doloroso? Não.

Independente disso, sempre gostei de fazer aniversário. Quem convive comigo não se surpreende quando, um mês antes, eu já começo a divulgar a data (rs). Concordo com você. É uma data que nos torna sensíveis a qualquer tipo de manifestação ou até mesmo a ausência delas.

Ontem, quando voltava para casa, ouvi no rádio do carro a música "Epitáfio" (Titãs)...

Devia ter amado mais, Ter chorado mais, Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais, E até errado mais, Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado, As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria, E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger, Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger, Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos, Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr, Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos, Ter morrido de amor

Queria ter aceitado, A vida como ela é
A cada um cabe alegrias, E a tristeza que vier

Receita de felicidade? Não. Infelizmente, quando nascemos não recebemos um manual de instruções. Trocamos a roda do carro com ele em movimento, errando ali, acertando aqui, e vivendo de esperas, semana que vem, mês que vem, ano que vem...

Difícil ou fácil, triste ou alegre a vida está aí, cabendo a cada um a tarefa de torná-la uma aventura espetacular pois, segundo dizem, não sairemos vivos dela...rsrs