O Modelo de Kübler-Ross

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Modelo de Kübler-Ross propõe uma descrição de cinco estágios discretos pelo qual as pessoas passam ao lidar com a perda, o luto e a tragédia. Tais estágios se popularizaram e são conhecidos como Os Cinco Estágios do Luto (ou da Dor da Morte, ou da Perspectiva da Morte). Kübler-Ross originalmente aplicou estes estágios para qualquer forma de perda pessoal catastrófica, desde a morte de um ente querido até o divórcio. Também alega que estes estágios nem sempre ocorrem nesta ordem, nem são todos experimentados por todas as pessoas, mas afirmou que uma pessoa sempre apresentará pelo menos dois.

Os estágios são:

  1. Negação e Isolamento: "Isso não pode estar acontecendo."
    É o primeiro mecanismo emocional utilizado. Consiste na recusa por um fato desencadeador de sofrimento e uma defesa necessária. Em suma, é quando a pessoa se nega a estar passando por aquele momento de sofrimento.

    A reação inicial ao saber o prognóstico é de choque, então o paciente pode se recusar acreditar no diagnóstico ou negar que algo está errado. Manifesta frases similares a estas: “Isto não está acontecendo”; “Não, eu não. Não pode ser verdade.”; “Deve haver um engano.”; "Não pode existir nada de errado, é só esse probleminha, no restante estou perfeitamente saudável."

  2. Cólera (Raiva): "Por que eu? Não é justo."
    Na raiva aparecem situações onde não mais se nega, ou a negação é de grande impacto, no qual se constata um inconformismo manifestado por reações violentas. É a fase dos questionamentos, onde você começa a se perguntar o porquê.

    O paciente reage com muita raiva, zanga ou irritação ao compreender seu estado real e as conseqüências da doença ou perda. Frases: “Por que eu?”; “Por que não ele?”; “Porque comigo,que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto?”; “O que fiz para merecer isso?”; “Porque Deus fez isto comigo?".

  3. Negociação: "Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem."
    É o começo da aceitação da realidade mediante barganhas. Nesta fase, a pessoa tem maior aproximação com a espiritualidade.

    Aqui o paciente já admite a existência da doença e pode tentar negociar em busca da cura. São comuns as tentativas de acordos, barganhas ou promessas a Deus. Frases: “Se Deus me curar, dedicarei minha vida toda Ele”; “Se Deus me curar, vou ajudar os pobres.” “Deus, ajude-me a viver mais alguns anos, até os meus filhos estarem mais independentes e não precisarem tanto de mim.”

  4. Depressão: "Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?"
    É a fase que apresenta sofrimento intenso e afastamento. Também é nesta fase que ocorre a elaboração de lutos. Curiosamente é nesta fase que ocorre a maior manifestação de processos criativos.

    O paciente pode mostrar sinais depressivos importantes: desânimo generalizado, inquietação, alterações do sono, perda de apetite, desesperança, etc. Frases: "Eu não consigo enfrentar isto.”; “Não posso fazer minha família passar por isto.”; “O que será de mim?”; “Eu falhei.”

  5. Aceitação: "Tudo vai acabar bem."
    A aceitação é a superação dos outros estágios, manifesta-se uma grande paz e tranquilidade. Nem todos chegam nesta fase.

    O paciente compreende que a doença é inevitável e aceita seu destino. Frases: "Estou pronto, eu não quero lutar mais."; “Já posso partir!”.

Conhecer os estágios e entender como cada um funciona facilita identificar e lidar com cada um deles, tanto na própria pessoa quanto em pessoas próximas. A importância dos profissionais de saúde e familiares conhecerem as características das fases descritas reside no fato de que isto permitirá administrar melhor a evolução dos acontecimentos até o desfecho da doença ou perda, evitando ou minimizando os conflitos e as angustias da pessoa e entre ele e os demais.

2 comentários:

Yuri Viana Camara disse...

Muito interessante!

Ana Maria disse...

Muito bacana. Vou mostrar para meus alunos o teu texto, colocando todo os teus dados como autor .Parabéns. Prof.ª Ana Maria Cardoso/UNISINOS