Palavras ensinam, mas só o exemplo arrasta!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Excelente texto publicado por Conrado Navarro no site Dinheirama. A propósito, o Dinheirama é um excelente site para quem se interessa por investimentos e finanças. Recomendo!

Reproduzo aqui o artigo na íntegra. Segue abaixo.

Diariamente vivemos situações sutis, mas bastante poderosas no âmbito pessoal e financeiro de nossos pares. Como de costume, evitamos aceitar que nossos atos e atitudes cotidianas soem como exemplos de quem verdadeiramente somos e de como pensamos a respeito do dinheiro, independência e sucesso financeiro. É da característica humana viver sobre o mantra “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

O perigo consiste em levar tal iniciativa para dentro de casa, para o círculo próximo de amizade e familiares. Soar hipotético demais perante aqueles que nos olham com apreço pode ser perigoso para seu desenvolvimento pessoal, minando sua capacidade de influenciar pessoas e fazer-se presente em suas vidas. Afastar-se não é prudente quando o segredo do sucesso está na integração. Cuidado.

É comum encontrar histórias de pais que, na ausência física e moral causada pelo excesso de trabalho e responsabilidade, tratam de comprar presentes e entupir seus filhos de mimos. Que mensagem será que eles estão recebendo sobre dinheiro, sucesso e inteligência financeira? É verdade que olhar o problema sob essa ótica não é algo comum, especialmente para alguém de minha idade e que ainda não tem filhos, mas não posso silenciar-me diante de tamanha crueldade com nossos (futuros) cidadãos. Permitam-me avançar no tema.

A tristeza maior me ocorre ao perceber que não é a falta de amor ou de afeto que leva as pessoas ao aperto sócio-emocional aqui discutido, mas a incapacidade de lutar contra hábitos já institucionalizados, visivelmente prejudiciais ao relacionamento interpessoal do grupo envolvido. Discutindo o tema com alguns amigos, descrevi algumas novas maneiras que, no meu entender, podem mudar esse panorama:

Fale menos, brinque mais. Recusar o convite de um amigo ou filho para um jogo ou evento pode não significar muita coisa. Faça isso diversas vezes e os convites cessarão por completo, deixando a impressão de que você não precisa deles para viver. Seja mais humilde e demonstre interesse nas coisas compartilhadas que vêm até você. Com situações simples assim passando longe de você, quais as chances de uma boa oportunidade financeira bater à sua porta?

Fale menos, ouça mais. Problemas financeiros e discussões sobre dinheiro são excelentes momentos para encontrarmos diversos donos da verdade. Fulano sempre sabe mais e ganhou mais, Ciclano tem mais experiência, Beltrano ficou rico com ações. Será que toda conversa precisa mesmo ser assim? Sem perceber, nos envolvemos nessa atmosfera e poluimos completamente o ambiente familiar, evitando importantes lições sobre o lado mais simples do dinheiro. Ouvir mais permitirá que você interprete melhor aquilo que julga saber e informe-se sobre o que ainda não sabe.

Fale menos, converse mais. Amigos de longa data são excelentes companhias para longas conversas, mas eles não são os únicos que devem desfrutar desse importante benefício. Converse mais com seus filhos, parentes e familiares, ainda que distantes. Permita que eles também tenham a razão, que também apontem importantes novidades. Dê atenção.

Fale menos, se envolva mais. Quantas vezes você surpreendeu seu filho ou amigo enquanto ele fazia algo bacana, algo capaz de enchê-lo de alegria? Incentivar boas atitudes e agradecer por tê-las vivenciado deixa uma clara mensagem de suporte e calor humano. Viver mais integrado ao ambiente em que se está inserido permite que as escolhas sejam facilitadas. Imagine o potencial disso no aspecto financeiro.

Não fale nada, apenas observe. Perca algum tempo apenas observando as reações das pessoas. Viva seu momento Freud e procure entender quais as atitudes que fazem a diferença para aqueles que ama. Faça silêncio absoluto e apenas interprete. Estenda o conceito para o mundo financeiro e observe como aquele seu primo rico lida com o dinheiro, as finanças da casa. Agora compare-o ao amigo que não consegue livrar-se das dívidas. Observe. Aprenda.

Ensine e compartilhe com o exemplo. Cresci ouvindo uma frase, sempre proferida com muito amor e cuidado por minha mãe: as palavras ensinam, mas só o exemplo arrasta. Depois de encarar, com muita humildade, paciência e determinação, o desafio de participar mais da vida das pessoas, trate de externar sua compaixão e todas as possíveis lições que tirou dessa experiência. Forme o ciclo virtuoso do aprendizado contínuo deixando que todos percebam como tudo isso faz diferença em sua vida. Dinheiro será uma consequência, acredite!

Missão cumprida ou missão comprida?
Está legal, confesso que baixou o guru por aqui (risos). Procurei apenas dedicar alguns minutos de meu tempo ao universo humano que circunda as finanças pessoais e as palavras são minhas armas. Não há planejamento financeiro que resista a um choro ou expressão de indiferença ou crueldade. Procure exercitar sua capacidade de influenciar as pessoas, agindo de maneira fiel aos princípios que jura exercitar. Preocupe-se mais com o “como” influenciar a “quem” influenciar.

Educação financeira não se ensina apenas usando números e fórmulas matemáticas. Antes que modelos e planilhas possam ser apresentados, deve haver plena cumplicidade entre as partes e só o interesse sincero pela vida do outro cria tal ambiente. Antes de pensar na mesada, pense no exemplo que está deixando ao entregar o dinheiro ao pimpolho no final do mês. Merecer é ótimo, inspirar é melhor ainda.

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